Crise? Só o design salva!


O título desse texto, em princípio, pode causar estranheza, talvez soe como exagero ou que eu, sendo um designer, esteja puxando a sardinha para a minha brasa, como diz o ditado.
Mas lendo esse texto atentamente, até o final, você notará que não estou exagerando.
Em meio à crise econômica que vivemos no Brasil e seus reflexos na indústria da moda, aparentemente não se tem muito o que fazer para driblar as dificuldades, entretanto, existem aqueles que conseguem tirar proveito da situação e acabam lucrando, mesmo quando todos os indicadores apontam o contrário.
Focar no design irá fazer, com toda a certeza, que seu produto se destaque e demonstre superioridade à concorrência, trazendo, portanto, novos clientes/consumidores e fidelizando os já existentes, consequentemente, aumentando sua lucratividade.
E sabe por que isso acontece? Pelo fato que, em meio à crise, os consumidores tornam-se mais exigentes, mais econômicos e, na dúvida, preferem não gastar, por isso, somente um bom design de produto tem o poder de atrair o consumidor e fazer com que ele não tenha dúvidas em comprar.
Quando eu falo em design de produto, não estou falando de um produto “bonitinho”. Estou falando de DESIGN de verdade, que vai além da forma, mas inclui também funcionalidade, estética, atratividade, emoção, interação entre outras características.
Duvida? Então pense do porquê os produtos Apple são tão desejados, o Porsche é tão cobiçado, a garrafa da Coca-Cola é reconhecida de longe entre milhares de outros cases que eu poderia citar, mas deixaria esse texto muito longo. Design não é forma, design é CONCEITO!
Falando especificamente da indústria da moda, comecemos pelo fato que, por definição, moda é um sistema de produção e reprodução de tendências assimiladas  e reconhecidas por um determinado grupo (mindset). Daí podemos também entender que, aquilo que “virou moda”, deixou de ser inovador, pois passou a ser conhecido e reproduzido (e multiplicado).
Esse é o ponto. A Inovação!!!
Se você pesquisa nos mesmo lugares que seus concorrentes pesquisam, se você busca informação nos mesmos lugares que eles buscam, se você segue as mesmas tendências que eles seguem (pois está na moda), obviamente você estará dividindo mercado e não CONQUISTANDO!
Você será apenas mais um a fazer aquilo que todo mundo já faz, e quando isso acontece, o diferencial deixa de ser o design e passa a ser O PREÇO. E em época de crise econômica, ter apenas o preço como diferencial, é arriscar-se á ser derrubado por fatores como: China, impostos, trabalho escravo, impostos, gastos produtivos, impostos, matéria prima e serviços de baixa qualidade, impostos etc...mais impostos.
Desde outubro de 2014 tenho feito pesquisas de mercado e tenho sido alertado que até meados de 2015 o dólar ia bater os 3,00 reais. Bem, o pessoal errou, pois isso já está acontecendo no início do ano, ou seja, as previsões mais pessimistas ainda estavam sendo otimistas.
Com um mercado assim, botar fé no diferencial de preço para atrair clientes é como querer conquistar o coração da garota enviando flores iguais as de seu concorrente. Em vez disso, descubra qual a flor que ela gosta e, além de enviar o buquê certo, capriche na embalagem, faça um laço diferente, isso irá, sem dúvida chamar bem mais a atenção da amada.
Investir em propaganda é bom, mas ela da um tempo para o consumidor pensar se vale a pena ou não gastar suas economias. O design não, ele atrai imediatamente o consumidor e desperta o desejo de aquisição, é amor à primeira vista.
O que faz com que alguém olhe para a vitrine e entre na loja? A propaganda? A placa vermelha escrita Sale!? Ou o produto bonito e diferente de tudo o que seus concorrentes estão apresentando?
Em época de crise, onde o consumidor se torna mais exigente, fazer o que todo mundo já faz só te tornará mais um. Se for para investir, para ter algum diferencial, invista em design, pois só o design salva!

Rubens Poças, é especializado em gestão de design da indústria da moda e santo milagreiro fora do horário comercial.